Líquido Peritonial

É um ultrafiltrado do plasma que ocupa a cavidade peritoneal, e sua produção depende da permeabilidade vascular e da pressão oncótica, sendo portanto um transudato. Nesse espaço revestido por mesotélio, normalmente existem cerca de 50 mL de líquido presente. Aumentos acima desse nível já são considerados alterações e podem ocorrer em patologias peritoneais, primárias ou não. Pacientes com volumes aumentados são considerados portadores de ascite, e o líquido é chamado de líquido ascítico.

EXAME BIOQUÍMICO

Amilase
Os níveis de amilase são similares aos níveis séricos. Nível superior a três vezes o valor sérico é uma boa evidência de origem pancreática, como pancreatite aguda, pseudocisto pancreático ou traumatismo. A presença de úlcera péptica perfurada, perfuração intestinal, trombose mesentérica e necrose de alças intestinais também pode produzir níveis elevados.

Glicose
Os níveis de glicose são similares aos séricos, apresentando-se diminuídos em 30% a 60% dos casos de peritonite tuberculosa e em cerca de 50% dos casos de carcinomatose peritoneal. Os pacientes hiperglicêmicos cursam com valores de glicose aumentados no líquido ascítico.

Proteínas
A determinação dos níveis de proteínas é um dos dados utilizados para diferenciar os exsudatos dos transudatos. Entretanto, no líquido ascítico, esse parâmetro não funciona de forma satisfatória. Nos transudatos encontramos níveis de proteína mais baixos (< 50% do valor sérico) e nos exsudatos mais altos. Não é raro que as amostras infectadas ou relacionadas com processos malignos apresentem concentrações de proteínas na faixa do transudato. Muitos pacientes com ascite por cirrose ou insuficiência cardíaca possuem taxas de proteínas na faixa do exsudato. O Índice obtido pela relação da albumina no soro-albumina do líquido ascítico é considerado um bom parâmetro na diferenciação da cirrose das outras formas de efusão peritoneal.

  TRANSUDATOS                   Insificiência cardíaca congestiva, cirrose hepática, hipoproteínas (síndrome nefrótica)
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  EXUDATOS                         Peritonites bacterianas primárias e secundárias, tuberculose, hepatomas, carcinoma
                                           metástico, linfomas e mesomielomas, traumas, pancreatite e peritonite biliar.

EXAME CITOLÓGICO
A análise citológica é composta de duas etapas distintas: a citometria, em que é feita a análise quantitativa das células, e a citologia em que é feita a contagem diferencial em lâmina corada. A presença de células de aspecto morfológico suspeito determina a indicação de citopatologia para células neoplásicas. Os carcinomas metastáticos de pulmão e de mama são os mais freqüentemente observados.

CITOMETRIA
CITOLOGIA
 ADULTOS                <500 leucócitos/mm3
                               0 hemácias/mm3
 POLIMORFONUCLEARES
<25%


Outras Avaliações
Segundo alguns autores, o colesterol tem um valor moderado na diferenciação entre a ascite de origem maligna e a ascite por cirrose, utilizando-se como valor limite 45 a 48 mg/dL.

Níveis elevados de desidrogenase láctica freqüentemente são encontrados nas ascites malignas. O índice entre os valores de LDH líquido ascítico/LDH soro superior a 0,6 possui uma sensibilidade de 80% no diagnóstico diferencial de neoplasias.

O achado de valores de bilirrubina superiores a 6,0 mg/dL e uma proporção de bilirrubina líquido/soro superior a 1,0 sugerem ruptura da vesícula biliar, causando coliperitonite.