Carbamazepina

É um importante fármaco antiepiléptico, utilizado no tratamento de crises convulsivas simples e complexas, parciais e generalizadas no adulto, e também no tratamento da neuralgia do trigêmeo, neuralgia glossofaringeana e outras neuralgias como as neuropatias diabéticas.

A carbamazepina é um composto tricíclico relacionado quimicamente à imipramina (antidepressivo tricíclico). A ação antiepiléptica está em diminuir o fluxo de sódio e de cálcio nos neurônios hiperexcitáveis. Uma redução da transmissão sináptica excitatória explicaria sua ação sobre as neuralgias.

A dosagem é importante para avaliar a eficácia do tratamento e impedir os efeitos tóxicos por meio da manutenção dos níveis séricos na faixa terapêutica.

A concentração sérica terapêutica usual é de 4 a 12 mg/mL. Normalmente, alcança-se um estado de estabilidade em 3 a 4 dias. Após administração oral, a absorção é lenta e apresenta grandes variações individuais, atingindo pico sérico em horas. A metabolização é hepática, apresentando uma farmacocinética própria, com a capacidade de induzir as enzimas hepáticas responsáveis por seu clearance (auto-indução).

O clearance da droga aumenta com o tempo, e as enzimas estão completamente induzidas em cerca de 4 a 6 semanas, ocorrendo então o aumento do clearance e a conseqüente diminuição da meia-vida da droga, que cai de 25 a 40 horas para 15 a 25 horas, depois da auto-indução. Como o metabolismo é hepático, qualquer alteração da função hepática leva ao aumento da concentração sérica da droga.

Cerca de 85% da droga está ligada à proteínas. A carbamazepina apresenta um metabólito ativo que é potencialmente tóxico - a carbamazepina - 10,11 epóxido, que deve ser avaliado nos pacientes com sinais de intoxicação que apresentem níveis séricos normais da carbamazepina.

Há a possibilidade de ocorrência de efeitos colaterais, como nistagmo, cefaléia, ataxia, visão dupla e, menos freqüentemente, rash (erupção) cutâneo. Podem também ocorrer reações hematológicas, sendo a mais comum a leucopenia. Em casos raros, registra-se a ocorrência de formas graves, como anemia aplástica, trombocitopenia e agranulocitose. Também podem surgir reações de hipersensibilidade, incluindo síndrome de Steven Johnson, hiponatremia, especialmente em idosos, osteomalácia e efeitos sobre a condução cardíaca.

O uso em mulheres no primeiro mês de gestação aumenta o risco de defeitos de formação do tubo neural.
A carbamazepina aumenta o metabolismo do ácido valpróico, clonazepam, teofilina e warfarin. Sua concentração pode ser aumentada pelo uso concomitante de cimetidina, isoniazida, eritromicina, lítio, fluoxetina e ácido valpróico. Possui ainda um efeito antidiurético, reduzindo as concentrações do hormônio antidiurético.

Freqüentemente, podem ser encontrados níveis baixos, por falta de adesão ao tratamento. O uso de outras drogas anticonvulsivantes (politerapia) como fenobarbital, fenitoína e primidona pode diminuir a concentração sérica da carbamazepina sem levar a crises convulsivas.

Normalmente, a coleta deve ser realizada em pacientes que estejam fazendo uso do medicamento há pelo menos 2 dias, e sempre cerca de 1 hora antes da próxima dose. Entretanto, nos casos de suspeita de intoxicação, pode ser realizada em qualquer momento. Para facilitar a interpretação, é importante conhecer o horário da última dose ingerida.