CA 19-9

O CA19-9, assim como o CA 242 e o CA 50, são marcadores tumorais de câncer colorretal e pancreático. Esses três marcadores possuem um epítopo em comum, que os caracteriza como marcadores de câncer gastrointestinal.

O CA 19-9 (antígeno carboidrato 19-9) é uma glicoproteína do tipo mucina, de alto peso molecular (>400 kD), que possui uma estrutura siálica originada do antígeno do grupo sangüíneo Lewis. Conseqüentemente, não se expressa nos indivíduos Le(a-, b-), levando a resultados falso-negativos em pessoas com esse perfil - aproximadamente 6% da população.

É sintetizado normalmente pelas células dos ductos do pâncreas e da vesícula biliar humana e pelo epitélio gástrico, colônico, endometrial e salivar.

A concentração sérica do CA 19-9 mostra-se elevada em pacientes com carcinoma de pâncreas (80%), carcinoma hepatocelular (67%), carcinoma gástrico (40 a 50%) colorretal (30%) e e alguns pacientes com carcinoma de mama (15%).

Condições benignas como pancreatite e icterícia podem levar ao aumento dos níveis séricos (18%). A maioria dos pacientes com pancreatite tem valores séricos abaixo de 75 U/mL (96%). Os níveis séricos podem apresentar-se alterados também em pacientes com doenças como cirrose hepática, doenças intestinais inflamatórias e em condições auto-imunes como artrite reumatóide (33%), lúpus eritematoso sistêmico (32%) e esclerodermia (33%).

A baixa sensibilidade e especificidade e a falta de opções de tratamento impedem o uso de CA 19-9 como teste de triagem para carcinoma de pâncreas. Os níveis do CA 19-9 são úteis para avaliar a recidiva do tumor e a presença de metástases. A principal indicação para a utilização do CA 19-9 está em predizer a conduta cirúrgica.

Basicamente, todos os pacientes que apresentam valores séricos maiores do que 1.000 U/mL têm um tumor maior que 5 centímetros de diâmetro, e apenas 5% dos pacientes desse grupo apresentam tumores ressecáveis. Porém, 50% dos pacientes pré-tratados com CA 19-9 abaixo de 1.000 U/mL apresentam tumores ressecáveis. Outros estudos têm mostrado que a maioria dos pacientes com concentração maior do que 300 U/mL apresenta tumores irressecáveis.

Apesar da sensibilidade diagnóstica do CA 19-9 para tumores de pâncreas ser maior do que a de outros marcadores, o diagnóstico precoce realizado por meio do seu uso tem sido bem limitado. Ou seja, a capacidade diagnóstica em casos iniciais é muito baixa. O CA-19-9 é utilizado na monitoração de carcinomas gastrointestinais, especialmente de pâncreas. É descrito como menos eficiente do que o CEA como marcador de carcinomas colorretais.

A dosagem do CA 242 está indicada no acompanhamento de tumores pancreáticos e colorretais. Valores elevados de CA 242 são encontrados em 5 a 33% dos pacientes com doença benigna do cólon, estômago, fígado, pâncreas e vesícula biliar; 68 a 79% de pacientes com câncer de pâncreas; 55 a 85% de pacientes com câncer colorretal e 44% dos pacientes com câncer gástrico. O CA 242 é supostamente menos eficiente do que o CA 19-9 e o CA 50 na detecção do câncer pancreático.

Níveis elevados de CA 50 são encontrados em até 46% das doenças benignas do pâncreas, em 35 a 38% das patologias benignas do trato biliar e em 22 a 59% das patologias do fígado. Apresenta-se elevado entre 80 a 97% dos pacientes com câncer de pâncreas. No câncer de cólon, a freqüência varia de 19% nos estágios mais iniciais até 73% nos estágios mais avançados.

Esse marcador é encontrado também elevado no câncer de esôfago (41 a 71%), estômago (41 a 78%), trato biliar (58 a 70%) e hepatocelular (14 a 78%).